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Quando eu era criança, costumava sonhar acordada com os meus trinta anos. Eu nunca parava para pensar nas responsabilidades e dificuldades da vida adulta porque era tudo muito romantizado na tv e nos livros. Tudo o que eu sabia era que seria uma moça crescida < mulher >, realizada, com um trabalho maravilhoso e totalmente independente < na época, eu queria ser radialista ou diretora de cinema>. Quando você é criança e fala sobre o futuro despretensiosamente, ninguém diz como é difícil ser adulto. Ninguém diz que você pode falhar nas profissões que escolheu, que relacionamentos nem sempre duram < todos os tipos >, que você tem mais contas para pagar do que gostaria e, por isso, talvez deixe alguns planos e sonhos de lado. E quando você finalmente completa trinta anos, as pessoas resolvem jogar toda essa verdade em cima de ti, de uma só vez. "Você é solteira? Nossa, olha o reloginho, tic tac", "Você AINDA mora com seus pais? Está na hora de criar responsabilidade e sair daí" e por aí vai. É tanta pressão e tanta cobrança que você se sente completamente inútil e começa a questionar todas as escolhas que fez na vida. E é nesse momento que você descobre que a tal crise dos trinta é real e que você precisa enfrenta-la.

Eu queria viajar pelo mundo e conhecer pessoas e culturas diferentes, porém, isso acabou ficando em segundo plano devido à vários imprevistos que tive durante os anos < e 80% desses imprevistos ocorreram por culpa da minha irresponsabilidade >. Não sou uma pessoa insatisfeita com o meu trabalho, porém está longe de ser algo com o qual eu sonhava. Não tenho o apartamento que tanto desejei ter e sim, sou solteira. Todos esses pensamentos me deixavam muito desanimada e eu não sabia o que fazer para resolver a minha vida. Isso, assim mesmo, como se a vida fosse apenas uma fórmula e que eu deveria estudar para achar a solução. Eu estava triste, mas tentava fingir que estava tudo bem, porque não queria explicar às pessoas sobre tais frustrações. Eu tinha vergonha e medo da forma que as pessoas poderiam olhar pra mim dali pra frente, após descobrirem como eu estava falhando na vida. Eu parei de escrever < que é algo que sempre amei fazer > e abandonei muita coisa que amava, porque sentia que só tinha decepções e não sabia o quanto eu ainda aguentaria. Mas após meses e meses de noites mal dormidas e crises de choro no chuveiro, eu percebi que estava seguindo um caminho sem volta. Eu tinha uma insegurança enorme dentro de mim e essas cobranças estavam me destruindo aos poucos e eu estava deixando. Porém, eu notei que não estava fazendo isso sozinha. Eu também estava deixando outras pessoas me destruírem, pelo simples fato de sempre querer agradar à todos. Era como se eu estivesse escolhendo me deixar de lado e eu não poderia fazer isso, porque se eu não lutar por mim, ninguém vai.

Por coincidência < ou não, vai saber >, na mesma semana, eu li este post da Karine e dei de cara com um vídeo maravilhoso que ela indicou: COMO SE AMAR?, da Stephanie Noelle. O vídeo fala sobre amor próprio e a Stephanie conta como ela sempre precisou da aprovação alheia para se sentir bem, para se sentir querida e como isso é errado. Você não precisa da aprovação de terceiros, por mais que sejam pessoas que você ame. E foi aí que eu parei e pensei: eu não sou obrigada a ter a minha vida inteira planejada em detalhes e sou ainda menos obrigada a me sentir mal por isso. Porém, eu estava tão acostumada com aquela ideia de vida perfeita aos trinta que eu não percebi que não é o fim da linha. Demorou, mas eu finalmente entendi que eu apenas fiz trinta anos e o fato de não ter concluído minha lista de "antes dos 30" não é nada, porque eu ainda tenho tempo de fazer tudo isso. Depois dos trinta eu ainda posso fazer planos de viagem, posso amar, posso trocar de emprego se não estiver satisfeita, posso estudar, posso fazer tudo o que quiser. Eu cursei Gestão Ambiental, Web Design, Linguagem de Cinema, Roteiro e não trabalho em nenhuma dessas áreas porque nenhuma delas me trouxe satisfação. E tudo bem, não é o fim do mundo. Eu gosto do meu emprego atual, tenho meu conforto, pago as minhas contas e tenho um dinheirinho para fazer as coisas que gosto. Inclusive, estou fazendo um curso para ter outras oportunidades no mercado, caso eu decida que preciso mudar o rumo. Se o curso não der em nada, tudo bem também. O importante é não ter medo de arriscar. E também é por isso que eu trouxe o blog de volta. Sem pretensões, sem posts futuros programados, apenas por que eu amo escrever e senti muita falta desse hobby... E também por boas influências e por ser rodeada de pessoas maravilhosas que tentam me incentivar à escrever novamente desde que o BookNerd saiu do ar. Obrigada, meninas , amo vocês.

8 comentários

  1. amei tanto tanto tanto esse post e me vi tanto nele, miga. nossa, sei nem o que falar. a vida adulta não é fácil mesmo, mas se a gente vai se deixando levar pelas cobranças (que muitas vezes parte de nós mesmas) é só ladeira abaixo, né? que bom que tá de volta, vê se fica <3

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    1. vou ficar, haha <3

      e pior que é assim mesmo, se a gente deixa isso tomar conta, enlouquece legal!

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  2. Fico muito feliz que você tenha voltado a escrever... Isso já é um ótimo passo para uma vida mais leve, sem tantas cobranças internas. O mundo vai cobrar e jogar na cara da gente o tempo todo, o segredo é aprender a conviver com isso e não deixar que isso nos abale. Eu também tenho (um milhão) de monstros internos (e externos) é um aprendizado diário, meu mantra? Viver um dia de cada vez, dando passinhos pequenos ao "eu"que quero me tornar!
    Beijos <3

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    1. sim, ainda tem isso né, lutamos contra nossos monstros internos frequentemente! mas com o tempo, a gente pega o tranco <3

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  3. Setembrina, o tempo e a correria do nosso dia a dia acabou nos distanciando, mas você sabe o quanto eu amo você e o quanto você é importante na minha vida ne? Trintar não é fácil e não importa como você esteja, sempre existirá cobranças por coisas que não somos obrigados a dar satisfação.
    No meu caso as cobranças são: Nossa, pq você casou tão cedo? Cadê filhos? Precisa comprar um apartamento... e por aí vai.
    Você melhor que qualquer outra pessoa no mundo sabe o quanto sofri por deixar que pessoas me ferissem e te digo que no final das contas isso foi bom, pq se hoje sou mais forte com certeza isso influenciou e muito.
    A verdade é que eu também não tenho a vida que sonhei quando era criança, na verdade, minha vida está longe de ser o que sonhei, mas aprendi a dar valor ao que tenho e abstrair comentários e cobranças que não agregam...
    Sempre amei seus blogs, justamente por te sentir em cada palavra... então, escreva muito por aqui... e se precisar, pode me chamar (seja no facebook ou no whatsapp) ou me ligar... a qualquer hora.

    Amo você!

    ❤️

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    1. lembro bem de várias situações super difíceis que tu enfrentou e superou, e é por isso que sempre te levo como exemplo de superação, pq tu destruiu tudo de ruim que esses caralhos já fizeram contigo e construiu uma história linda... merece cada momento maravilhoso que tem hoje <3 e obrigada pelo apoio de sempre <3, te amo!

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  4. Pati, eu tô TÃO feliz que você voltou a blogar!! <3 Eu amo a forma como você escreve cara, e ter um cantinho pra chamar de seu às vezes faz toda a diferença!
    Acho que a vida adulta nunca é como a gente acha que vai ser, né? Na nossa cabeça é fácil, vai tudo acontecer da forma que a gente quer porque a gente merece ou coisa parecida, mas é cada tombo que a gente leva! Ainda bem que a gente se ajuda a levantar. <3

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    1. a melhor parte é essa, ter essa galera do caralho se ajudando nos tombos da vida <3 e voltei pelo apoio eterno de vocês, pq sempre fiquei com essa "pulga atrás da orelha" de não fazer nada certo, mas você e as vyadas sempre me apoiaram tanto que eu tive gosto de voltar a fazer as coisas que eu amo!

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